Ela é a bomba
Abstract
Esse ensaio aborda um aspecto particular sobre um discurso da cultura pop Euro-Americana à beira do século 21: a construção do não occidental -e em particular o Africano- "outro" como uma mulher rebelde. Desaparecendo a mulher desamparada do passado, cuja história foi contada em inúmeros documentários e dramas feitos para a TV. Agora, esta é a mulher que nós contamos, que comete loucuras, em quem já não podemos confiar. São as vítimas de ontem que devemos temer. Como esta mensagem é articulada, porque e o que nós podemos fazer com isso, é o assunto destas páginas. A leitura propõe aqui um olhar contemporâneo do Norte-Americano e Europeu sobre a África e o "outro" de modo diferente das abordagens normativas destas questões. Apesar da percepção do ocidente pelo resto, recentemente, continua-se a desenhar conceitos e imagens desenvolvidos no período colonial e início do pós-colonial, esse ensaio argumenta, novas metáforas que entraram em cena alterando significantemente tanto seu conteúdo quanto sua forma. A base desse desenvolvimento, sugere-se, são ainda dois simbióticos fenômenos contraditórios, sendo que ambos estão intimamente ligados à evolução econômica e política moldando o mundo neste início do século 21: uma postura cada vez mais isolacionista por parte dos auto-intitulados"primeiro mundo" e formas de intervencionismo- uma detrerminação para desvendar o "outro" - em que as ideias de violência, sexo e sigilo são instrumentalizadas como nunca antes.